A
Biblioteca Municipal da cidade carrega seu nome. Nada mais justo a um dos
maiores intelectuais que pintou neste chão gameleiro. Mário Gemignani deixou
sua marca na história de Capão Bonito.
Filho
de pais italianos, Gemignani nasceu em 04 de agosto de 1894. Ainda menino,
sofreu uma pequena poliomielite que paralisou alguns movimentos de uma das
pernas.
Depois
de passar boa parte da infância na capital paulista, ele e seus pais escolheram
outra cidade: Itapetininga. Lá, estudou e se formou na escola Peixoto Gomide, mas
o destino levou-o a um povoado vizinho, que o acolheria de braços abertos para
ensinar os filhos da terra.
Os
problemas causados pela poliomielite o levaram a se aprofundar numa atividade
que não exigiria tanto esforço físico. As letras, as palavras, os livros, as
frases, os textos e a pluralidade linguística encantaram o professor
paralítico, que se igualou a todos pelo saber.
Se
hoje, mesmo com o avanço das tecnologias de informação e de outros meios, ainda
muita gente enfrenta dificuldades para concluir e avançar nos estudos, imagine
numa época onde tudo se faltava.
A
escassez e falta de condições materiais não conseguiram frear a força de
vontade daquele homem. Mesmo encarando inúmeras dificuldades, Gemignani
concluiu seus estudos e lecionou por mais de 9 anos em Capão Bonito.
Gemignani
não era um simples professor. Conhecia 43 línguas e dialetos. Ainda jovem, se
apaixonou pela diversidade cultural das línguas. “Depois de conhecer 10 ou 12
línguas, as outras são facilmente compreendidas. Elas têm traços comuns”, disse
ao repórter Jacob Wizentie em 1953.
Em
sua simples residência recebia inúmeros estudantes que buscavam referências
para os trabalhos escolares. Muitos profissionais renomados de hoje que atuam
em Capão Bonito foram beneficiados pelos trabalhos de Gemignani.
Ele
não sabia dizer não a ninguém, mas reclamava aos mais íntimos da falta de
vontade de aprender dos jovens capão-bonitenses. “Qual será o futuro desses
meninos?”, interrogava. Seria muita ousadia deste jornalista que vos escreve
citar o nome daqueles preferiram a comodidade ao encargo escolar. Mas tem muita
gente “famosa” no meio.
Por
muito tempo, Mário Gemigani foi o tradutor oficial da cidade. Resolvia qualquer
dúvida. Da mais simples a mais complicada. Chagou a traduzir um famoso poema de
José de Anchieta, dedicado à Virgem Maria, para a língua tupi-guarani.
A
notícia de sua morte comoveu a cidade. Morreu aos 88 anos por complicações
cardíacas, mas seu nome foi perpetuado pelo saber. “Tenho certeza de que minha
vida não foi vazia e a satisfação íntima de ter feito alguma coisa, de ter
ajudado outros em alguma coisa, paga-me bastante o esforço que tive que
despender”, falou alguns anos antes de falecer.
Que interessante!!!
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